Rubenilson Nogueira
ACM Neto, Bruno Reis e a insistência em não reconhecer a derrota para um professor. Imagine para um filho de vaqueiro.
Imagem Ilustrativa / ReproduçãoACM Neto, ex-prefeito de Salvador, derrotado na disputa pelo Governo da Bahia em 2022 e novamente em 2026, iniciou a campanha deste ano sustentando que Jerônimo Rodrigues havia vencido a eleição anterior porque era desconhecido. A explicação buscava atribuir a vitória à popularidade de Lula e convencer o eleitor de que, agora, depois de conhecer Jerônimo como governador, não o reconduziria ao cargo.
Era uma estratégia que, por um lado, diminuía o mérito da vitória de Jerônimo em 2022 e, por outro, alimentava a expectativa de mudança em 2026. Neto apontava problemas de gestão, especialmente na saúde, com a tão mencionada regulação. Vale observar que o problema não é a regulação em si, assim como numa fila de banco o problema não é a fila, mas a falta de terminais de atendimento. Na saúde, faltam vagas, leitos e hospitais. E é preciso reconhecer os investimentos realizados pelo governo estadual para ampliar essa estrutura.
Mas a questão central é outra: a dificuldade de reconhecer uma derrota para um professor, filho de vaqueiro.
Até poucos dias antes da eleição, Neto insistia que Jerônimo perderia porque os baianos agora conheciam seu governo. Entretanto, após a reeleição do governador, seu aliado Bruno Reis, prefeito de Salvador, logo atribuiu o resultado novamente à influência de Lula e aos votos associados às duas candidaturas.
Ora, se em 2022 Jerônimo venceu porque era desconhecido e Lula o ajudou, e se em 2026 perderia justamente porque os eleitores já conheciam sua gestão, como explicar sua reeleição no primeiro turno? Jerônimo venceu porque os baianos já o conheciam. Aprovaram suas ações e resultados, e assim, decidiram reconduzi-lo ao cargo?
Arrisco dizer que, desta vez, Lula precisou mais de Jerônimo do que Jerônimo de Lula. Tenho a impressão de que o presidente veio mais à Bahia buscar votos para sua própria candidatura do que para garantir a reeleição do governador. Jerônimo resolveu sua eleição no primeiro turno, enquanto Lula terá de disputar o segundo. Não se trata de negar a importância de Lula, mas de reconhecer que Jerônimo também construiu sua própria trajetória política e administrativa.
Neto tem todo o direito de criticar o governador, apontar falhas e defender outro projeto para a Bahia. O que merece reflexão é a contradição entre afirmar que o conhecimento do eleitor sobre Jerônimo determinaria sua derrota e, depois das urnas, buscar novamente em Lula a explicação para sua vitória.
E, recorrendo à linguagem da sala de aula, fica a ironia: o professor, filho de vaqueiro, reprovou o aluno ACM Neto.



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