“Vou continuar fiel às minhas convicções”, diz vereadora após polêmica em Coité
Após repercussão negativa de declaração do prefeito, Manu Rezadar afirma que proposta de Secretaria da Mulher surgiu da escuta popular e não tem caráter impositivo
Foto Reprodução Após a repercussão da declaração do prefeito Marcelo Araújo sobre a sugestão de criação da Secretaria da Mulher, a vereadora Manu Rezadá se pronunciou na tribuna da Câmara Municipal, na segunda-feira (6), em Conceição do Coité, município localizado no Território do Sisal, a cerca de 210 km de Salvador. A fala ocorre dias após o gestor classificar como “loucura” a indicação apresentada pela parlamentar, também na Câmara Municipal.
Em seu pronunciamento, Manu iniciou agradecendo o apoio recebido após a polêmica e destacou que o debate ultrapassa questões pessoais. “Esse debate não é sobre mim. Não é sobre uma indicação específica. É sobre as mulheres”, afirmou. A vereadora ressaltou ainda que recebeu mensagens de mulheres que se sentiram representadas e compartilharam experiências, reforçando a importância do tema.
A parlamentar explicou que a proposta surgiu a partir do contato direto com a população. “Quando eu fiz essa indicação, ela nasceu da escuta, do que eu ouço todos os dias, do contato direto com as pessoas nas ruas, nas suas casas, no gabinete”, disse. Segundo ela, a discussão envolve dignidade e proteção: “Quando a gente fala de mulher, a gente está falando de vida, de dignidade e de proteção”.
Manu também reconheceu avanços do município na área, citando equipamentos já existentes, mas defendeu a possibilidade de ampliação das políticas públicas. “Eu reconheço sim que Coité já tem avanços importantes no cuidado com as mulheres. […] Por isso, eu acredito que sempre é possível avançar mais. Eu acredito que evoluir também é um ato de cuidado”, declarou.
Ao abordar o aspecto político da situação, a vereadora afirmou que permanece no mesmo grupo do prefeito, mas destacou sua autonomia de pensamento. “Vocês me conhecem, eu faço parte de um grupo e respeito este grupo. Tenho certeza de que esse grupo sempre buscou fazer o melhor por nossa terra. Mas eu tenho as minhas convicções e vou continuar fiel a elas”, pontuou.
Sobre a legalidade da proposta, Manu explicou que se trata de uma indicação, sem força de lei e sem obrigatoriedade de execução pelo Executivo. “Ela representa uma sugestão, uma possibilidade que não tem poder de lei. […] É simples. A indicação é uma ideia que pode ou não ser realizada pelo Executivo, de acordo com a estratégia da gestão”, afirmou, acrescentando que o processo seguirá tramitação normal na Câmara.
A fala da vereadora ocorre após ampla repercussão do posicionamento do prefeito, que gerou debate político e social em toda a Bahia sobre a criação de políticas públicas voltadas às mulheres no município.
Folha do Sisal




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