Morre aos 74 anos Jair Cezarinho, jornalista que atuou em defesa da liberdade de imprensa no interior da Bahia
Referência do rádio em Feira de Santana, comunicador teve mais de 50 anos de carreira e participou de mobilizações em defesa do Jornal A Nossa Voz, no Território do Sisal.
Morre aos 74 anos o radialista, Jair Cezarinho, referência em Feira de Santana. — Foto: Reprodução/Câmara de Vereadores de Feira de Santana O jornalista e radialista Jair dos Santos Cezarinho morreu na madrugada deste sábado (10), aos 74 anos, em Feira de Santana. Ele estava internado no Hospital Dom Pedro de Alcântara. Com mais de cinco décadas dedicadas à comunicação, construiu uma trajetória marcada pelo jornalismo esportivo, pela atuação no rádio e pela defesa da liberdade de imprensa. A causa da morte não foi divulgada.
Natural de Feira de Santana, Jair integrou equipes da Rádio Sociedade, onde atuou como repórter de campo, cronista esportivo e coordenador de equipes. Entre os momentos marcantes de sua carreira está uma entrevista com Pelé, realizada em 1975, no Estádio Joia da Princesa. O comunicador também presidiu a Regional Norte/Nordeste da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), função na qual participou de mobilizações em defesa de profissionais e veículos de comunicação.

Entrevista do radialista ficou eternizada em fotografia — Foto: Reprodução/TV Subaé
Uma dessas atuações aconteceu em Barrocas, pequeno município do Território do Sisal, onde Jair teve participação importante na defesa do Jornal A Nossa Voz. Em maio de 2011, ele esteve em Serrinha, acompanhado de representantes do Sindicato dos Radialistas, para acompanhar uma audiência envolvendo o diretor do jornal, Rubenilson Nogueira, alvo de uma ação judicial movida por um vereador. Na ocasião, o representante da ABI manifestou apoio ao comunicador e reafirmou o compromisso da entidade com a liberdade de imprensa.
O apoio voltou a ocorrer em maio de 2020, quando o Jornal A Nossa Voz e sua rádio web suspenderam temporariamente as atividades durante cinco dias, em meio a um conflito com o poder público municipal envolvendo exigências administrativas consideradas abusivas pela direção do veículo. Jair Cezarinho esteve pessoalmente em Barrocas, acompanhado do radialista e advogado Hércules Oliveira, para acompanhar o caso e manifestar solidariedade. Na oportunidade, criticou as situações denunciadas pelo jornal e declarou: “Se você permite este tipo de situação, você está calando a voz do povo.” O episódio marcou a história da comunicação local e evidenciou a importância da atuação das entidades representativas na defesa da imprensa em municípios do interior.

Jair Cezarinho no município de Barrocas em defesa da liberdade de imprensa como representante da ABI
A morte de Jair Cezarinho representa uma perda para a comunicação baiana, especialmente para o rádio de Feira de Santana e para profissionais que acompanharam sua atuação em defesa da liberdade de expressão. O velório está previsto para começar às 12h deste sábado, no Memorial Pax Bahia, e o sepultamento para as 15h, no Cemitério Piedade, em Feira de Santana. O Grupo A Nossa Voz, de Barrocas, manifestou pesar pelo falecimento e destacou a contribuição do jornalista em momentos importantes de sua trajetória.
Folha do Sisal




COMENTÁRIOS