Custo do São João cresce e pode inviabilizar festas em cidades pequenas, alerta prefeito de Jequié
Em entrevista recente ao site bahia.ba, prefeito de Jequié defende teto de gastos para palco e bandas e diz que inflação está “fora dos padrões”
Foto: André Souza/bahia.ba O alto custo para realizar o São João na Bahia, especialmente nos municípios de pequeno porte, entrou no centro do debate após entrevista recente do prefeito de Jequié, Zé Coca, ao site bahia.ba, na qual ele afirmou que, mantido o ritmo atual de inflação de palco e bandas, em até três anos nenhum município baiano terá condição de bancar os festejos juninos.
Na entrevista, Zé Coca — ex-presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB) e filiado ao Partido Progressista (PP) — afirmou que o São João “começou com um custo e hoje está dez vezes maior do que começou há cinco, seis anos atrás”. Para ele, a situação já pressiona diretamente as cidades menores. “Os municípios de pequeno porte não estão tendo condição de fazer mais festa e a sociedade quer. Então a importância é que a gente tenha uma festa que o município tenha condição de pagar”, disse.
O prefeito alertou para o ritmo acelerado dos aumentos. “Do embalo que está, daqui a três anos o município nenhum baiano vai ter condição de fazer mais São João.” Ele citou a própria realidade de Jequié, município de porte médio: “Um exemplo: São João nosso aumenta de 5 milhões. Esse ano, se for na mesma média que foi no passado, pra 15 quase. Então qual é o município que vai ter condição? Nem Jequié, que é um município já de médio porte, tem condição.”
Segundo Zé Coca, a inflação no setor está concentrada principalmente em bandas, som e estrutura. “Quando eu era prefeito de Lafaiete Coutinho, você fazia uma festa de São João razoável com 200, 300 mil reais. Hoje, 200, 300 mil reais você não contrata mais nem som em palco. Então a inflação pra banda, pra som em palco foi fora dos padrões normais.”
Para o gestor, o caminho passa por regras mais claras. “Isso precisa criar, de fato, um teto. A gente precisa criar critérios pra que isso não continue dessa forma”, defendeu, reforçando que o objetivo não é acabar com a festa, mas garantir que ela continue existindo dentro da realidade financeira dos municípios.
O alerta feito por Zé Coca toca diretamente no coração da cultura nordestina. O São João é mais que entretenimento: é identidade, tradição e economia local. Mas, se os custos seguirem crescendo sem controle, a conta pode pesar justamente para quem mais depende da festa — os pequenos municípios e o povo que faz do São João a principal celebração do ano.
Folha do Sisal




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